As lenas, pequenos biscoitos de formas redondas cobertos com chocolate preto, são há muitos anos a surpresa do sortido. Nos anos de 1970, muitos quilos desses biscoitos de chocolate eram vendidos para os Açores, numa encomenda que seguia no final do Verão.
Para conseguir embrulhar à mão toda a produção, a Paupério recorria a antigas funcionárias da empresa, já reformadas, algumas delas vizinhas da fábrica.
Entre os anos 70 e 80, devido às circunstâncias difíceis que o país em mudança política, social e económica atravessava, a Paupério também sentiu esse abalo. E foi necessário a mecanizar o embrulho das lenas de forma a dispensar toda essa mão-de-obra extra.
A tenra bolachinha coberta de chocolate preto era exactamente a mesma, mas as pessoas não a queriam com outra roupa. Acontece que a máquina não conseguia imitar as voltas da mão humana e fazia um embrulho do tipo almofada. A Paupério foi inundada de reclamações: as pessoas gostavam do embrulho com aquele remoinho de papel colorido que depois as pontas dos dedos raspavam na ânsia de chegar ao biscoito de chocolate. A decisão de voltar a embrulhar manualmente as lenas foi tomada nessa altura e a tradição mantém-se. As lenas continuam a ser embrulhadas à mão porque os seus apreciadores gostam mesmo muito de abrir o papel colorido. E por isso, a Paupério continua a proporcionar-lhes essa alegria simples.


A página Biscoitos Paupério, do facebook, atingiu os 10.000 amantes dos melhores biscoitos do mundo!

Trata-se de uma meta bonita mas que ainda está longe de ultrapassar as nossas expectativas.

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Há muito que a palavra Paupério está ligada a Valongo e aos biscoitos. Tal se deve a uma família de padeiros e padeiras, produtores de pão e biscoitos. Desta família, na segunda metade do século XIX, António de Sousa Malta Paupério associa-se com Joaquim Carlos Figueira e fundam a Paupério & C.ª que se especializaria no fabrico de bolachas, biscoitos, bolo-rei, pão-de-ló e geleias. A experiência da tradição transposta por António para a nova empresa incute qualidade à nova sociedade. Os seus produtos vendem bem, chegam longe e são cobiçados pelos outros biscoiteiros e padeiros. De Valongo e não só…

A Paupério & C.ª, pelos anos 30 do século passado, dá início aos registos da marca Paupério na Repartição de Propriedade Industrial. Há contestação e disputa. Em 1942 surgem abaixo-assinados de padeiros e biscoiteiros reclamando que os bolos e biscoitos de Valongo são todos Paupério. Mas biscoitos e bolos Paupério só mesmo de uma produtora, a Fábrica Paupério.