As lenas, pequenos biscoitos de formas redondas cobertos com chocolate preto, são há muitos anos a surpresa do sortido. Nos anos de 1970, muitos quilos desses biscoitos de chocolate eram vendidos para os Açores, numa encomenda que seguia no final do Verão.
Para conseguir embrulhar à mão toda a produção, a Paupério recorria a antigas funcionárias da empresa, já reformadas, algumas delas vizinhas da fábrica.
Entre os anos 70 e 80, devido às circunstâncias difíceis que o país em mudança política, social e económica atravessava, a Paupério também sentiu esse abalo. E foi necessário a mecanizar o embrulho das lenas de forma a dispensar toda essa mão-de-obra extra.
A tenra bolachinha coberta de chocolate preto era exactamente a mesma, mas as pessoas não a queriam com outra roupa. Acontece que a máquina não conseguia imitar as voltas da mão humana e fazia um embrulho do tipo almofada. A Paupério foi inundada de reclamações: as pessoas gostavam do embrulho com aquele remoinho de papel colorido que depois as pontas dos dedos raspavam na ânsia de chegar ao biscoito de chocolate. A decisão de voltar a embrulhar manualmente as lenas foi tomada nessa altura e a tradição mantém-se. As lenas continuam a ser embrulhadas à mão porque os seus apreciadores gostam mesmo muito de abrir o papel colorido. E por isso, a Paupério continua a proporcionar-lhes essa alegria simples.