No passado dia 4 de junho realizou-se o 1.º Capítulo da Confraria do Pão, da Regueifa e do biscoito de Valongo. A cerimónia de entronização, que decorreu na Igreja Matriz de Valongo, contou com a presença da Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas e de mais 21 Confrarias de todo o país. Foram Madrinhas da Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito de Valongo a Confraria do Vinho Verde, a Confraria do Queijo da Serra, a Confraria do Anho Assado e Arroz Forno e a Confraria do Presunto e da Cebola.

Neste 1.º Capítulo foram entronizados 98 Confrades Fundadores, entre eles a Fábrica Paupério.


A Fábrica de Biscoitos Paupério, atualmente gerida por administradores da quinta e sexta geração da família fundadora, decidiu editar um livro que conta todas as suas histórias, ora íntimas e familiares, ora curiosas e comoventes e, ao mesmo tempo, testemunhos de como uma empresa tradicional atravessou um tempo de grandes mudanças, mantendo o fabrico artesanal.

O livro chama-se “O nome do biscoito é Paupério”, com o título a remeter para uma dessas memórias do passado – a altura em que os outros biscoiteiros de Valongo tentaram registar o nome “Paupério” como uma marca de todos os biscoitos produzidos no concelho. O apelo não teve sucesso, mas deu início ao registo da propriedade industrial da Paupério.

Em 260 páginas, o livro “O nome do biscoito é Paupério” conta a história de uma empresa, mas também a história de uma família num concelho que cresceu e se desenvolveu em redor da moagem e do fabrico artesanal de pão e biscoitos. É um relato precioso de como se manteve a funcionar um negócio familiar durante mais de 140 anos, durante os quais Portugal viveu grandes transformações políticas, económicas e sociais.

É por isso que este livro sobre a Fábrica Paupério e da família Figueira, em Valongo, é muito mais do que uma narrativa sobre uma empresa ou os seus gestores. É também a história íntima de uma família que viveu, criou, perseverou, resistiu e deixou a sua marca, forte e única, através de décadas atribuladas da história local e nacional. Trata-se de uma família cheia de personalidades peculiares, que tinham em comum a paixão pelos biscoitos artesanais, o culto das boas relações humanas e o prazer em fazer bem.

A Fábrica Paupério nasceu em 1874 quando dois amigos e vizinhos decidiram criar uma fábrica de pão e biscoitos, aproveitando as excelentes farinhas moídas pela força da água na serra de Valongo. Dessa união entre Paupérios e Figueiras, ficaram os segundos com o negócio… e este com o nome dos primeiros. Hoje, a Paupério continua nas mãos da mesma família, que gere uma empresa em expansão sustentável e lançada na exportação para todos os cantos do mundo, dos Estados Unidos ao Japão. Empenhada na conservação do seu arquivo e, diante de um património que ultrapassava a memória de papel e objetos, sendo também feito de tradições e sentimentos, essa família decidiu ter chegado a altura de reunir a história da Paupério neste livro.

A obra resulta de uma profunda investigação do historiador Paulo Caetano Moreira, com a parte mais recente da vida da Paupério a ser narrada pela jornalista Dora Mota. A fotografia é da autoria do fotógrafo Ricardo Meireles, que registou vários momentos da produção da fábrica ao longo de meses, criando um percurso de familiaridade visual com todos os espaços e pessoas da Paupério, assim como muitos objetos do passado.

O livro conta ainda com o testemunho de Álvaro Reis Figueira, tio do atual administrador Eduardo Sousa, que revela aspetos até agora desconhecidos e íntimos da relação da família com o concelho de Valongo e a forma como atravessou vários momentos difíceis da história nacional.

O livro estará disponível numa das lojas da Fábrica Paupério.